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Daniel Silveira volta a negar que tenha gravado reunião ilegalmente

Ele é acusado pelo próprio partido de ter feito a gravação com o objetivo de obter vantagens

04/05/2021 19h30
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Por: Nelson Lima Fonte: Agência Câmara de Notícias
Daniel Silveira está em prisão domiciliar e falou ao Conselho de Ética por videoconferência - (Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados)
Daniel Silveira está em prisão domiciliar e falou ao Conselho de Ética por videoconferência - (Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados)

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) voltou a negar que tenha gravado ilegalmente reunião privada da liderança de seu partido realizada na Câmara dos Deputados em 16 de outubro de 2019. O parlamentar responde a processo (Rep 17/19) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, acusado pelo próprio PSL de ter feito a gravação.

Na reunião gravada foi discutida a permanência ou não do deputado Delegado Waldir (PSL-GO) no cargo de líder do partido ou a passagem da liderança para o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Nesta terça-feira (4), três deputados do PSL também negaram responsabilidade de Silveira no caso. Luiz Lima (PSL-RJ), Carlos Jordy (PSL-RJ) e Filipe Barros (PSL-PR) foram ouvidos como testemunhas de defesa pelo relator do processo, deputado Alexandre Leite (DEM-SP).

Um dos principais argumentos é que não se tratou de uma reunião privada. Luiz Lima, por exemplo, disse ter se tratado de uma conversa que ele teve com Delegado Waldir, para quem foi explicar que apoiaria Eduardo Bolsonaro na disputa pela liderança.

“Não posso precisar se o Daniel gravou ou não, porque naquele momento eu não sei de onde partiu essa gravação. Daniel estava comigo, ao meu lado, eu falando com Delegado Waldir. Outros deputados também falaram nesse encontro”, afirmou Lima.

O deputado Carlos Jordy também negou o caráter sigiloso do encontro, ainda que não tenha estado presente. “Não há que se falar em crime, já que é uma reunião feita por deputados, uma reunião normal para falar de questões partidárias. Se houve ali uma reunião pessoal por parte do Delegado Waldir, ele deveria ter escolhido outro local e não a sala de reuniões da liderança do partido”, criticou.

Daniel Silveira, que está em prisão domiciliar e falou ao Conselho de Ética por videoconferência, reforçou que não se tratava de uma reunião. “Tampouco se pode arguir que era uma reunião fechada, não se tratava disso. O que aconteceu de fato foi um encontro com deputados e duas assessoras, as portas abertas. Essa gravação chegou a mim por mão de uma terceira pessoa”, disse o representado.

O deputado Filipe Barros, por sua vez, confirmou a informação de que Silveira teria recebido a gravação. Barros disse que, no dia, teria encontrado Silveira em um estacionamento da Câmara, a caminho do Plenário. Na ocasião, Daniel Silveira teria contado que havia tido acesso à conversa.

“Eu falei: ‘deputado, é importante que esse áudio chegue às mãos do presidente da República de alguma maneira’. Não me lembro se ele me mandou. Mas, tão logo acabou a nossa conversa, a imprensa começou a divulgar um áudio gravado do presidente e as mesmas matérias divulgavam poucos minutos depois este áudio [o que teria sido gravado por Daniel Silveira]”, relatou Filipe Barros.

Delegado Waldir acusou Daniel Silveira de premeditar gravação
Delegado Waldir acusou Daniel Silveira de premeditar gravação - (Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados)

No áudio, Delegado Waldir chamou Jair Bolsonaro de “vagabundo” e disse que pretendia “implodir” o presidente, por meio de uma gravação que o então líder tinha.

Em depoimento anterior ao Conselho de Ética, Delegado Waldir ressaltou que a gravação foi premeditada por Daniel Silveira, combinada em reunião no Palácio do Planalto e divulgada de forma editada, com o objetivo de obter vantagens.

Na opinião do deputado Ivan Valente (Psol-SP), os depoimentos desta terça foram muito centrados na figura de Waldir, quando o representado é Daniel Silveira. “Por que o deputado Daniel Silveira não diz logo que ele gravou a reunião? Ele poderia adiantar que ele gravou. Se ele não vê nenhum tipo de crime, assume que gravou. Aqui não estamos fazendo nenhuma investigação criminal”, observou Valente.

Outro processo
Na mesma reunião, a deputada Professora Rosa Neide (PT-MT), relatora de outro processo (Rep 8/21), também contra Daniel Silveira, apresentou seu plano de trabalho ao Conselho de Ética.

Neste processo, Silveira é acusado pelos partidos Rede, Psol e PSB de ameaçar manifestantes do movimento “antifascistas”, em postagem no Twitter. Os partidos alegam que Daniel Silveira teria quebrado o decoro ao dizer torcer para que os manifestantes levem “um tiro no meio da caixa do peito” e querer ser ele a dar esse tiro, caso encontre um manifestante na rua.

No plano de trabalho, Rosa Neide prevê o depoimento de testemunhas de defesa e o requerimento de notas taquigráficas de falas de Daniel Silveira no Plenário, além de oitiva do próprio deputado ao Conselho de Ética.

Destruição de charge
Também estava previsto para esta terça o depoimento da deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), arrolada pelo deputado João Marcelo Souza (MDB-MA), relator de processo contra o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) (Rep 15/19). A parlamentar, no entanto, não pôde comparecer.

Coronel Tadeu foi denunciado pelo Partido dos Trabalhadores por destruir uma charge que denunciava violência policial contra negros em uma exposição na Câmara em novembro de 2019.

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